ALAN GARCÍA, GENOCIDA

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A propósito da matança ocorrida na Amazônia peruana…

LOCUTOR Foi ele, Alan García, então presidente do Peru, quem deu a ordem.

EFEITO METRALHADORA

LOCUTORA Em 1986, nos cárceres limenhos de Chorrillos, Lurigancho e Frontón, foram assassinados, um a um, com um tiro na cabeça, mais de 300 homens e mulheres.

LOCUTOR Muitos deles eram presos comuns ou réus acusados de terrorismo.

LOCUTORA O responsável por esta matança foi Alan García.

CONTROLE GOLPE MUSICAL

LOCUTOR Culpado pela pior crise econômica da historia do Peru, e frente às acusações fundadas de enriquecimento ilícito, Alan García fugiu para Colômbia em 1992 e logo para França.

LOCUTORA Anos mais tarde, outro presidente assassino, Alberto Fujimori, anulou as acusações contra ele.

LOCUTOR Alan García regressou ao Peru, se candidatou com o apoio da oligarquia, a imprensa corrupta e a Opus Dei, e ganhou as eleições de 2006.

CONTROLESICA DE DUELO

ALAN Privatizar a Amazônia… por que não?

MINISTRO E as pessoas que vivem nela, presidente García?

ALAN Pessoas, pessoas… esses tipos não são pessoas, são índios.

LOCUTORA Em agosto de 2008, Alan García firmou nove decretos que facilitavam o ingresso de empresas transnacionais na Amazônia, uma exigência do Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos.

LOCUTOR Os indígenas, organizados na AIDESEP, que agrupa a 1350 comunidades amazônicas, se mobilizaram contra esses decretos.

LOCUTORA Os indígenas acusaram o governo de Alan García de ter promulgado esses decretos sem os ter consultado, como exige o Convênio 169 da OIT.

LOCUTOR O Congresso e a Defensoria do Povo os declararam inconstitucionais e os anularam.

LOCUTORA Mas em maio de 2009, Alan García firmou novos decretos, os fatídicos 1064 e 1090, que autorizam o desflorestamento de 45 milhões de hectares da Amazônia, os 60 por cento da mata do Peru.

LOCUTOR Novamente, os indígenas se mobilizaram.

EFEITO RUIDOS SELVA

ANALISTA Se estes decretos se mantêm, em curto prazo as terras amazônicas passarão a ser propriedade das corporações petroleiras, mineiras, madeireiras, de água, produtoras de biocombustivéis; e em médio prazo a Amazônia ficará destruída. Os indígenas estão defendendo sua vida, suas terras ancestrais.

CONTROLESICA TRISTE

ALAN Dialogar? Para quê?… Esses índios são cidadãos de segunda classe… que direitos reclamam?

CONTROLE GOLPE MUSICAL

LOCUTORA 5 de junho, Dia do Meio Ambiente.

LOCUTOR Milhões de indígenas awajun-wampis tomaram a estrada que une Tarapoto com Yurimaguas.

LOCUTORA Alan García dá a ordem de “limpar” a estrada.

EFEITO HELICÓPTERO E METRALHADORA

LOCUTOR Às cinco da manhã, centenas de efetivos da Polícia e as Forças Armadas chegam onde os indígenas estão reunidos, e começam a disparar.

LOCUTORA Um helicóptero lança bombas lacrimogêneas e metralha.

LOCUTOR Os indígenas estão providos somente de lanças e pedras.

LOCUTORA O enfrentamento dura até as duas da tarde, quando os indígenas conseguem retirar-se à cidade de Bagua.

MULHER TESTEMUNHO

LOCUTOR Um banho de sangue: 30, 40, 60 mortos, entre indígenas e policias. Centenas de feridos e desaparecidos.

EFEITO CHOROS

LOCUTORA O Peru está de luto por seus filhos e filhas da Amazônia que foram mortos defendendo seu direito à terra.

LOCUTOR E por seus filhos uniformizados, os policiais, enviados como carne de canhão para matar os seus próprios irmãos.

LOCUTORA O movimento indígena peruano e latino-americano está tomando medidas para denunciar Alan García nos tribunais internacionais.

LOCUTOR Alan García, genocida de ontem, genocida de hoje.

ALAN GARCÍA, GENOCIDA

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