128- O QUE VIMOS E OUVIMOS

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Amanheceu e entardeceu aquele primeiro dia da semana. Os moradores de Jerusalém dormiam depois de uma buliçosa jornada de despedida: pelas doze portas da cidade de Davi, saíram as caravanas levando de volta milhares de peregrinos. As festas de Páscoa haviam terminado. Tudo voltava à normalidade. Todos regressavam às suas casas. Todos, menos nós…

Pedro: Eu o vi!! Vocês têm que acreditar!!

Madalena: E eu também o vi! Igualzinho como estou vendo vocês agora!

Felipe: Então jure, atreva-se a jurar!

Madalena: Juro que vi Jesus! Eu o vi vivo e mexendo o rabo!… Não me acreditam, não é mesmo?

Tiago: Não, Madalena, é claro que não…

Escondidos no sótão da casa de Marcos, com as portas trancadas, sentados no chão ao redor de uma velha lamparina de azeite, continuávamos discutindo a mesma coisa…

Madalena: Juro pela minha mãe, pela minha avó e pela minha bisavó!

Felipe: Continue, continua com a lista até chegar a Adão e Eva. Mas esta história não dá para engolir, está ouvindo?

Natanael: O juramento de uma mulher não vale nada e muito menos o seu, que ainda tem dentes de leite. Diga lá, quantos anos você tem, Mariazinha de Magdala, quantos?

Madalena: Para dizer a verdade, não me lembro, mas é mais de quinze e menos de vinte.

Felipe: Rá! E você acha que dá para acreditar numa ranhenta como você, que um morto apareceu vivo?

Madalena: E dona Maria também é uma ranhenta, não é, Felipe? Dona Maria, venha cá um momento!

Tiago: Deixe-a, Madalena, Maria é a mãe… e as mães quando choram muito têm visões… É sempre assim…

Madalena: Que eu saiba, Pedro não pariu ninguém. E ele também viu!

Pedro: E eu já tenho uns bons caninos, está ouvindo, cabelo-de-fogo descrente? Quando você ainda gatinhava eu já atirava pedras nos cachorros de Betsaida! E eu estou lhe dizendo que Jesus está vivo! Eu o vi!

Marcos: E nós também! Este curandeiro e eu comemos com ele em Emaús!

Felipe: Em Emaús… Não é lá em Emaús onde dizem que os espíritos dos mortos sobem e descem na fonte de águas quentes?

Marcos: Está bem, está bem, não acreditem se não quiserem. Dou risada de todos vocês, homens sem fé!

Felipe: E eu rio ainda mais de vocês, cambada de malucos!

Natanael: Pois eu não acho graça nenhuma nisso tudo… Sabem o que andam dizendo pela cidade, heim? Que fomos nós que roubamos o corpo de Jesus.

Tiago: Quem disse isso, quem disse?

Natanael: Os chefes. O pessoal do Sinédrio. Nicodemos veio contar a fofoca.

Felipe: Pois eu digo que foram eles próprios que o roubaram para fazer-nos morder o anzol e prender todos nós.

Madalena: E eu digo que ninguém roubou ninguém porque Jesus está vivo!

Tiago: Cale essa boca, Madalena, não berre tanto!

Tomé: Bem, bem… vo-vocês continuem bri-brigando, que eu vou embora.

Tomé, que escutava num canto do sótão, se pôs de pé e sacudiu a túnica…

Tomé: Estou indo.

Felipe: E aonde diabos você vai agora, pedaço de gago?

Tomé: Para a ca-casa de Matias.

Tiago: E o que acontece com Matias?

Tomé: Não aconte-tece nada. Vê-veio celebrar a pá-pascoa e está voltando para Jericó… Vo-vou com ele.

Natanael: Muito bem. Isso é o que todos devíamos fazer, ir embora de uma vez desta maldita cidade de loucos.

Felipe: A maioria dos peregrinos já foi. Por que não recolhemos nossas tranqueiras e amanhã cedindo não botamos o pé na estrada para a Galiléia, heim?

Madalena: Não, não vou sair de Jerusalém!

Pedro: Muito menos eu, até que as coisas se esclareçam!

Tomé: Para mim, tanto faz a Ga-galiléia ou Je-jerusalém… eu vo-vou para a casa do Ma-matias.

Pedro: Espere, Tomé, não vá. Será que você não entende? Jesus está vivo!

Tomé: E vocês estão ma-malucos!… Adeus!

Tomé saiu para a rua, virou a esquina dos curtidores e foi andando pela calçada que desce até Siloé. Ali, perto do tanque, estava hospedado seu velho amigo Matias…

Matias: Ah, Tomé, você por aqui? Eu já estava me perguntando onde você se metera, companheiro!

Tomé: Onde iria me me-meter? Desde o que aconteceu na sexta-feira estávamos escondidos em um sótão co-como ra-ratos.

Matias: Imagino… Tantas esperanças, caramba e tudo veio abaixo como uma casa sobre a areia. Ai!… Minha avó dizia que quem nasce barrigudo não merece de faixa. É bem isso que acontece conosco, os pobres, Tomé. Não merecemos nada.

Tomé: É bem por aí, Ma-matias. Não vale a pena crer em nada nem iludir-se com nada.

Matias: Veio João o Batizador reclamando justiça e, zás, degolado. Depois veio Jesus anunciando que as coisas iriam muda, e já se sabe o que aconteceu.

Tomé: Por que será que para nós, os de ba-baixo, sai tudo ao contrário, Matias? Matias: Vai ver que temos azar, companheiro.

Tomé: Azar nós, e mãe sem-vergonha eles.

Matias: O fato é que este país não tem remédio. Isto vai de mal a pior… Mas, enfim, para que continuar lamentando se tudo já acabou?… Diga, Tomé, como estão seus familiares, os amigos do nazareno?

Tomé: Estou vindo de lá.

Matias: E como eles estão? Conte-me!

Tomé: Também de mal a pior… Alguns per-perderam o juízo.

Matias: Claro, dá para compreender… Tanto sofrimento… No começo é sempre assim… Depois as águas voltam ao seu leito…

Tomé: O que eu quero mesmo é voltar para minha casa… Quando você viaja, Matias?

Matias: Amanhã, logo cedo. Se quiser, podemos viajar juntos.

Tomé: Sim, eu vou co-com você… e, piriri pororó, a história do Reino de Deus se acabou. Assim, vou buscar minhas coisas, despe-peço-me dos meus amigos e volto daqui há pouco.

Matias: Veja, não fica conversando muito para voltar logo… Estarei esperando você!

Tomé regressou à casa de Marcos… Ia triste, com as mãos enfiadas nos bolsos da túnica e de cabeça baixa… Agachou-se, pegou uma pedra do chão e a atirou contra a parede…

Tomé: Está tudo acabado, diacho… Tudo acabado…!

Continuou em frente através das vielas escuras e solitárias de Jerusalém… O céu, negro e brilhante, parecia despencar, carregado de tantas estrelas… Tomé entrou no bairro de Sião e virou a esquina dos curtidores…

Tomé: Ma-mas, o que estará acontecendo?… Já é quase me-meia noite…

Apesar da hora ninguém dormia na casa de Marcos… O barulho que vinha do sótão chegava até à rua… Quando Tomé abriu a porta, encontrou-nos todos rindo, brincando, dando gritos de alegria…

Tiago: Tomé!! Até que enfim você chegou!!

Natanael: Você o viu, Tomé, você o viu?!

Tomé: Sim, e-eu o vi.

Felipe: Nós também! Todos, todos nós o vimos!

Tomé: Ma-mas, como? Ma-matias não saiu de sua casa.

Madalena: Que Matias que nada! Jesus!… Esteve aqui conosco!

Pedro: Por que você saiu, Tomé? Se tivesse ficado o teria visto também!

Tomé: Ma-mas, será possível que vocês ainda continuam com a mesma cantiga?!

Tiago: Tomé, sente aí e escute. Você me ouviu antes, não é? Você sabe que eu estava trancado, mais trancado que as janelas. Eu não acreditava um tico do que a madalena dizia, nem Pedro, nem Maria… mas agora eu o vi! Todos nós o vimos, Tomé! Jesus está vivo!

Tomé: Bem que me-meu avô já dizia que a lo-locura pega que nem percevejo.

Felipe: Não, Tomé, isto é outra coisa. Isso é a coisa maior que aconteceu no mundo! E Deus nos deu olhos para vê-la!

Tomé: O que vocês viram foi um fan-tantasma…

Madalena: Ah é? Eu não sabia que os fantasmas de agora são morenos e de barba! Rá!

Tiago: Não, Tomé, era ele, era Jesus! Estava aí mesmo onde você está agora! Chegou, nos saudou e todos nós ficamos sem fôlego, e ele começou a rir por causa do nosso susto…

Tomé: Eu continuo achando que é um fan-fantasma…

Madalena: Que fantasma coisa nenhuma, caramba, os fantasmas não comem e ele devorou um rabo de peixe e um favo de mel que havíamos deixado para você… Olhe, olhe só a travessa onde havíamos guardado a janta para você… Jesus comeu tudo! E bebeu vinho, e assoou o nariz! Desde quando os fantasmas fazem isso, heim?

Tomé: Jesus mo-morreu! Como pode estar vi-vivo se eu o vi mo-morto?

Felipe: É isso que a gente também está se perguntando: como pode estar morto se o vimos vivo?

Tomé: O que vocês viram foi seu espi-pírito. Dizem que as almas dos de-defuntos dão sete voltas pelos arredores antes de descansar em pa-paz…

Madalena: Não! Era Jesus em carne e osso! O mesmo de sempre, com a mesma risada e as mesmas coisas, mas mais alegre, mais… sei lá, nem sei como dizer… mas era ele, o moreno!

Tomé: Pois eu não acredito.

Tiago: Escute, Tomé, quando você saiu para a rua, nós ficamos aqui discutindo, lembra? Se íamos para a Galiléia ou se ficávamos em Jerusalém. De repente chegou ele, Jesus. E nos disse: vocês têm que sair, tem que ir pelo mundo todo anunciar a vitória de Deus.

Natanael: Ele nos olhou cada um e disse: conto com vocês! É preciso continuar lutando pela justiça, mesmo que os matem, como fizeram comigo… Mas não tenham medo. A morte não tem a última palavra. Deus a tem.

Pedro: Está entendendo, Tomé, está entendendo o que aconteceu? Jesus foi o primeiro a levantar a cabeça! Todos nós iremos atrás dele!

Tiago: Jesus confiou em Deus e agora é Deus quem confia em nós.

Tomé: Isso soa muito bo-bonito… tão bo-bonito que não pode ser verdade…

Pedro: Mas, Tomé…

Tomé: Não. Não acredito em nada disso. Histórias… histórias e visões… É o mesmo que acontece com os cameleiros no deserto que têm tanta sede que vêem água onde só tem areia… Não, não acredito… não acredi-dito, caramba!… A única verdade é que estamos tristes… Perdemos o melhor amigo que tínhamos… e com ele também se foi nossa esperança… Está tudo acabado, tudo…

Pedro: Não, Tomé, escute bem: na sexta-feira, lá no Gólgota, parecia que o céu tinha se fechado para sempre. Mas Deus guardava para nós esta surpresa… O primeiro a ficar surpreso foi Jesus, quando Deus o levantou da morte, imagine só…! Esses bandidos pensaram que haviam ganho a parada. Mas Deus sabia o que estava fazendo, e ficou do lado de Jesus!… Por que você não acredita, Tomé?

Tomé: Porque não. Porque para acre-creditar que Deus ficou do lado de Jesus… teria eu que meter minha mão no lado do peito dele que foi furado pela lança e no buraco dos pregos… Não, por favor, não me-me enganem mais, eu não quero voltar a me iludir… Não, eu tenho a língua pré-presa, ma-mas a cabeça está no-no lugar… E amanhã mesmo vou embora com o Matias…

Mas, ao final de algumas horas…

Tomé: Matias! Matias!… Abra a porta, abra!

Matias: Mas, o que está acontecendo, Tomé, o qu…?

Tomé entrou como uma rajada de vento na casa de seu amigo…

Tomé: Matias! Era verdade, Jesus está vivo, mais vivo que você e eu! Eu dizia que se não o visse não acreditaria, mas era verdade, estávamos no sótão, com as portas fechadas, eles dizendo que sim, eu dizendo que não, eles que sim, eu que não, e nisso chega Jesus, se põe ali dentro, como um a mais no grupo, como sempre, e vem e me olha, ai caramba, eu belisquei um braço e depois o outro, e ele me disse: “não sou nenhum fantasma, Tomé, não seja tão cabeça dura!”. E Jesus diante de mim, assim mesmo, como eu e você agora, Matias, e disse: “Venha cá e me dê um abraço, Tomé!”. Eu quase desmontei e lhe disse: “Moreno, você é o Messias!”. E ele me disse: “Comigo aconteceu o mesmo que com você, Tomé, por um momento pensei que Deus havia me abandonado. Mas não. Pus a minha sorte em suas mãos e, como você pode ver, ele não me falhou. Faça você o mesmo, Tomé. Tenha confiança, embora não veja, embora não entenda. E agora, corra, corra, corra e diga a todos que isso não se acabou, que agora é que começa”… Então eu vim contar-lhe, Matias, tinha que contar!!!

A língua de Tome se soltou para contar a seu amigo o que havia visto e ouvido. E Matias acreditou e começou a espalhar por todo o bairro de Siloé, e a notícia foi passando de uns para outros. E nós também o anunciamos a vocês para que compartilhem nossa alegria sabendo o que nós sabemos, que Jesus, o Nazareno, está vivo para sempre.

*Comentários*

O relato do evangelho sobre a incredulidade e o ato de fé de Tomé está repleto de dados “materiais”: especifica-se que Jesus comeu mel e peixe, que Tomé tocou nas feridas feitas pelos cravos nas mãos e pela lança no peito… Assinalam-se estes aspectos para que não imaginemos nunca que Jesus ressuscitou como um fantasma, um espírito etéreo, alguém “não-material”. Como cristãos, quando falamos da ressurreição “da carne”, da ressurreição “dos corpos”, estamos proclamando a unidade do homem, o todo do homem. Também de seu corpo, da matéria pela qual seu espírito se expressa. Deus se interessa pela carne do homem, enquanto o homem vive – e por isso o evangelho é para a vida terrena – e quando o homem morre, tanto se interessa que ressuscitará também nosso corpo.

A mentalidade de Israel entendeu sempre a pessoa humana como uma unidade. Nunca considerou separadamente alma e corpo, como os gregos fizeram. Não há na tradição de Israel desprezo pelo corpo, pelo material. Para o israelita, o homem é “basar” (“carne” enquanto debilidade física, limitação intelectual ou pecado) e é também “nefesh” (“alma” enquanto sua abertura para todos os valores espirituais e para Deus). O homem em sua unidade é inspirado pelo “ruah”, o Espírito de Deus. Não se trata, pois, de separar o material do espiritual, a alma do corpo, mas de considerar o homem inteiro como débil ou como cheio de possibilidades, de vê-lo como instrumento de morte ou como doador de vida etc. Quando São Paulo fala de que ressuscitar é o passo de um homem “carnal” para um homem “espiritual” está se referindo precisamente a isto: através da morte, o homem transforma seu ser limitado em um ser sem limitações (1 Cor 15, 35-49). De qualquer forma, é praticamente impossível para nós, neste mundo, captar totalmente esta realidade da ressurreição que esperamos pela fé. É como explicar a uma criança no ventre de sua mãe como é a vida de fora, o que é respirar, o que são as cores. Em sua existência fetal, fechada, escura e flutuante, ela seria absolutamente incapaz de imaginar.

Os relatos pascais, por mais esquemáticos que sejam, nos dão a entender que os discípulos não experimentaram a ressurreição de Jesus como um ato singular do poder de Deus no curso da história, mas que iria continuar a partir daquele momento como até então. Eles experimentaram algo mais: que com a ressurreição começava “o fim”, ou mais exatamente, “o começo do fim”. A guerra contra o sistema de pecado já estava ganha, faltava vencer algumas batalhas, mas vendo Jesus ressuscitado já viam para onde se orientava a história humana. Foram testemunhas, por aquela experiência pascal, da entrada de Jesus naquele Reino de Deus anunciado. Os testemunhos dos discípulos, dos primeiros cristãos e das comunidades de base primitivas que começaram a se formar desde então, dão a entender que para aqueles homens e mulheres “crer” era já viver naquele mundo de Deus, saborear o triunfo definitivo por antecipação, adiantar o que o final dos tempos traria: a chegada da justiça de Deus.

Esta fé, experimentada e vivida, nos salva. Quando dizemos que Jesus nos salva, que é nosso salvador, estamos afirmando que, por sua ressurreição, ele se transformou na pista que nos pode orientar para que nossa vida tenha sentido, seja “salva” do absurdo, do egoísmo, do fatalismo, da passividade e, finalmente, da morte. Isto é, nós nos “salvamos” quando seguimos o caminho de Jesus: compromisso, generosidade, desinteresse, amor aos demais, luta pela justiça, sentido comunitário, fraternidade, igualdade entre os homens. Esse caminho é “salvador” da vida humana. Ressuscitando Jesus, Deus creditou a validade deste caminho. Caminhar por ele é arriscado, pois os valores do evangelho não são os valores do mundo. Pois bem, quando a morte se interpuser como preço do compromisso cristão, Deus nos diz na Páscoa que a vida dos que vivem como Jesus não terminará nunca. Tem tal qualidade, tal força, que vencerá a morte.

Jesus venceu a morte e sua ressurreição é penhor de que depois dele, seguindo seus passos, nós também poderemos superá-la. Jesus ressuscitado nos liberta da morte. Mas também nos liberta do medo de morrer. Esta é uma questão crucial para a fé cristã. A autenticidade de nossa fé se mede pela atitude que tenhamos diante da morte. Enquanto a virmos como uma derrota, ficaremos paralisados pelo medo do injusto que a causa ou pelo fatalismo diante das limitações que a existência humana tem. Esta falta de liberdade nos impedirá de dar o pleno testemunho de compromisso a favor da vida que caracteriza o que é ser cristão. Vendo a morte como fracasso, não veremos no Jesus crucificado um salvador, mas uma vítima a mais do sistema. Não creremos na ressurreição. Visto desta forma, Jesus não é mais que um “exemplo” do passado. Enquanto que, ao nos libertarmos do medo de morrer transforma-se em fonte de vida.

(Mc 16, 14-18; Lc 24, 36-49; Jo 20, 19-29)

128- O QUE VIMOS E OUVIMOS

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