A CONFERÊNCIA PERFEITA

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Cinco coisas que não podem ser deixadas de lado em uma palestra sobre comunicação.

Muitos radialistas e comunicadoras realizam amiúde palestras e conferências. Alguns deles nos escreveram solicitando algumas ideias para fazê-lo da melhor maneira possível. Buscamos na Internet, assistimos a conferências, consultamos a especialistas, e pudemos resumir estas cinco dicas que agora lhes partilhamos.

1- UM BOM MARCO TEÓRICO

Uma palestra não pode começar sem uma sólida introdução. A credibilidade do auditório depende muito de que perceba, desde o início, este fundamento teórico.

Uma possibilidade é colecionar algumas citações de comunicólogos famosos e colocá-las em momentos oportunos da conferência. Por exemplo, se citar a Habermas ou a Bourdieu, ou inclusive a outros mais clássicos como Mattelart ou Martín Barbero, conseguirá um maior respeito do público com relação às ideias de tua conferência.

Estas citações devem corresponder à tendência política do público com o qual te enfrentas. Se é claramente de esquerda, não duvide em citar Marx. Uma frase de O Capital dará um toque militante a tua exposição. Também pode citar a Ramonet ou a Laclau. Aprenda um par de frases deles, mencione alguns de seus livros e aumentará consideravelmente o impacto de tua conferência.

Alguns colegas lançam mão de expressões em latim (modus operandi, quid pro quo, sine qua non). Pode dar bons resultados, sempre e quando conhecer o significado exato das mesmas.

2- PRONUNCIAR COMO SE DEVE

Hoje em dia, falar de comunicação é falar de Internet e tecnologias. Isto implica pronunciar muitas palavras em outros idiomas, sobretudo em inglês.

Da mesma forma que nos incomodamos quando um estrangeiro pronuncia mal uma palavra em português, devemos pensar no fastio que provoca aos de fora nossa má pronúncia de palavras que já formam parte do vocabulário cotidiano. Por exemplo, os nomes das redes sociais. Se disser “Tuiter” assim, sem mais, o público notará tua ignorância e rirá um pouco.

É muito fácil de pronunciar de maneira que soe a inglês. Basta mudar o segundo “t” por um “r” e apagar um pouco o sotaque. Ensaie dizendo “tuirer”. Faça o mesmo com palavras como “Internet” (acentuando o “i” como se fosse uma palavra proparoxítona) e outras do repertório tecnológico.

3. UM TOM COMEDIDO

É certo que o bom humor ajuda na comunicação. Mas é ainda mais certo que uma conferência não é um show. Vai transmitir conhecimentos, não divertir o público.

Não é aconselhável começar por uma piada ou uma anedota hilariante. Isto tira a seriedade da tua exposição. Também não precisa estar com a cara sisuda. Mas um tom comedido ajudará na melhor compreensão de tuas ideias.

Pode falar de pé ou sentado. O importante é que tenha diante uma mesa (ou um púlpito) onde possa ordenar bem os papeis do texto que vai ler.

4. O BEM VESTIR

O hábito não faz o monge, é verdade. Mas também é verdade que se a pessoa que disserta tem um porte descuidado, despenteado, desbochado… causará uma má impressão no público e gerará resistências desnecessárias.

Digam o que disserem, o terno e a gravata continuam sendo o traje de acordo com a importância de uma conferência, especialmente se é magistral. No caso das mulheres, um vestido formal, nem muito curto nem muito longo, preferivelmente de cores escuras. Salto alto pode melhorar a aparência.

Esta etiqueta completará a boa imagem que queremos projetar. Apresentar-se com vestimenta casual não convém, especialmente se teu público é de bom nível cultural.

5. TOME MAIS TEMPO DO QUE TE DÃO

Em geral, quando te convidam a uma palestra, costumam marcar um limite de tempo para falar. O problema é que se você se fixa a esse limite, o público pode pensar que tinha pouco o que dizer. Ou que não preparou suficientemente tua palestra.

Tome um pouco mais de tempo. Se te derem 10 minutos, fale 15 ou 20. Lembre que o moderador, por respeito ao conferencista, não se atreverá a cortá-lo. Aproite essa oportunidade.

Também pode projetar um “power point” durante tua exposição. Os textos na tela grande ajudam a fixar a atenção do auditório. Desde já, não infantilize a projeção com imagens ou bonequinhos que não serão do gosto de um público cultivado.

O QUE VOCÊ ACHA DESTES CINCO CONSELHOS PARA DAR UMA PALESTRA? VOCÊ OS PRATICA?


Este radioclip é uma provocação para abrir o debate sobre um modo demasiado frequente com o qual se realizam palestras e conferências. Em RADIALSITAS, obviamente, não pensamos assim. Estamos muito contra do que aqui se recomenda.

Leia o radioclip seguinte onde expomos os critérios nos quais sim cremos para dar conferências que, ainda que não sejam perfeitas, serão coerentes com nossa visão política e com a pedagogia na qual apostamos.

A CONFERÊNCIA PERFEITA

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