NÃO SOU UMA ESTATÍSTICA, SOU UMA MULHER COM AIDS

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Brigitte Syamalevwe dedicou sua vida a combater esta doença.

BRIGITTE Minha vida se despedaçou um dia de 1992 quando descobri que eu era soro positiva. Senti nojo de mim mesma e raiva.

CONTROL GOLPE MUSICAL

LOCUTOR Brigitte Syamalevwe nasceu em1958 na Zâmbia. Estudou na Ruanda e na França. Graduada em educação, regressou a seu país e encontrou uma realidade cada vez mais crítica e angustiante.

LOCUTORA A pobreza extrema em que vivia a maioria de seus compatriotas, as secas, a AIDS, indicavam a Zâmbia como um dos países mais pobres do mundo.

LOCUTOR Na década de 80, Brigitte trabalhou como professora nas zonas rurais mais miseráveis. Queria implantar um programa para vencer o alto grau de analfabetismo.

BRIGITTE Foi quando ensinava numa escola de Ibenga, próximo de Lusaka. Os jovens estavam oprimidos pois seus familiares morriam pela AIDS. Preocupada, decidi fazer eu mesma também os exames.

EFEITO LATIDOS

BRIGITTE Quando soube dos resultados, abracei a meu filho de sete anos e lhe disse “espero poder estar contigo quando você crescer”. Estava contagiada.

CONTROLSICA AFRICANA TRISTE

BRIGITTE Eu tinha 9 filhos estariam também contaminados? Tratei de falar com meu esposo, mas ele não queria saber de nada. Durante dois anos me isolei totalmente até que entendi que as mulheres têm que ser revolucionárias para ser ouvidas.

LOCUTOR Desde então, Brigitte Syamalevwe dedicou sua vida a combater esta doença. Fundou a Sociedade de Mulheres Contra a AIDS. Elas constituíam mais da metade da população infectada.

BRIGITTE As estatísticas não têm sexo, nem comem, nem sentem frio. Eu não sou uma estatística, sou uma mulher com AIDS.

LOCUTOR Em 1994, um funcionário declarou que o Estado estava ajudando às pessoas soro positivas. Brigitte se levantou e denunciou.

BRIGITTE Olhem bem, eu sou uma mulher com HIV e não recebi qualquer ajuda do governo.

CONTROL RAJADA

BRIGITTE O dia seguinte, apareci em todos os meios de comunicação da Zâmbia. Meu esposo se tornou hostil para comigo. Agora todos sabiam que ele também estava contaminado.

LOCUTORA Como parte da Comunidade Internacional de Mulheres Soro positivas, oferecia oficinas, elaborava folhetos, dava palestras.

BRIGITTE A AIDS é uma enfermidade muito diferente de outras. Têm que ver com o amor, com o prazer. Há que terminar com essas besteiras sobre o sexo.

LOCUTORA Em 1999 foi nomeada Embaixadora das Nações Unidas na luta contra a AIDS. Desempenhou este alto cargo no Ministério da Educação de Lusaka, conseguindo incorporar a AIDS no plano nacional de estudos.

LOCUTOR Na última Conferência Internacional sobre a AIDS, celebrada em Durban, Brigitte Syamalevwe e seu esposo, também doente, ditaram conferências sobre práticas sexuais seguras para as pessoas com HIV.

BRIGITTE A masturbação mútua e o uso da camisinha não se pode condenar. As mulheres e os homens contagiados temos direito a uma vida sexual ativa e plazeirosa.

LOCUTOR Ambos continuaram no trabalho voluntário. Fundaram o Grupo de Apoio aos órfãos de Ibenga, adotaram 40 crianças e motivaram a outras pessoas para fazerem o mesmo.

MULHER Obrigada a ti, Banagengi, mãe de muitos!

LOCUTORA Um ano depois, seu marido morreu.

CONTROL TAMBORES AFRICANOS TRISTES     

LOCUTOR E também morreu ela, Brigitte Syamalevwe, a mãe de muitos, dia 23 de fevereiro de 2003, apenas com 44 anos de idade.

BIBLIOGRAFÍA
Pilar Sariñena, Una heroína africana
http://mujerplus.com/articulo.php?numero=&idart=681

NÃO SOU UMA ESTATÍSTICA, SOU UMA MULHER COM AIDS

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