AS CRIANÇAS CORRENTES

Este radioclip es de texto y no tiene audio grabado.

Contos de horror de Críspulo para crispar-se de medo.

O presente radioclip é uma produção de Infante, Promoção Integral da Mulher e da Infância, Cochabamba, Bolívia.
_Neste conto, Críspulo relata a terrível história de crianças trabalhadoras. Uma história que não se afasta da realidade. Descreve a crítica situação de milhões de crianças no mundo._

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LOCUTORA Contos de Horror de Críspulo, para crispar-se de medo. Hoje: As Crianças Correntes.

CRÍSPULO Sei de um povoado onde as crianças têm enormes e pesadas correntes no lugar de braços que são arrastadas dia e noite sem descanso. E as crianças gemem e choram e se lamentam. E os cães ao ouvi-los uivam alto no meio da noite desolada e fria.

CRÍSPULO No meio do povoado, um parque abandonado agita seus balanços. Quando as crianças correm para ele, as correntes os param novamente, os levam longe e as crianças gritam e pedem piedade; mas as correntes mais fortes e mais más que os próprios demônios os envolvem e tapam suas bocas… umas bocas bem secas de corpos sem água, sem comida, sem carinho.

CRÍSPULO E as mães e os pais? As mães e os pais desapareceram fugindo de uma velha horrenda e esfarrapada que vagava pelo povoado: A Miséria. E, assim, estes pais cheios de medo pegaram nos braços de seus filhos e filhas. Acreditavam que agarrados de seus filhos a Miséria teria piedade e continuaria de longe seu caminho… sem tocá-los, sem olhá-los. Se agarraram tão forte dos braços de suas crianças e os apertaram tanto que não quiseram soltar-se nunca e se converteram nessas correntes pesadas que agora suas crianças arrastam. E o ruído das correntes arrastradas é realmente horrível, como um lamento longo e triste de uma criança faminta, de uma cria sem mãe, de um animal ferido e condenado.

CRÍSPULO E este ruído alimenta a Miséria e ela lança uma gargalhada bem forte, porque as crianças sozinhas não podem defender-se dela e porque os pais e as mães acovardadas são as correntes de seus próprios filhos. E a Miséria se alegra, abre a grande boca deixando ver seus dentes podres e deixa sair uma espantosa risada zombando da dor e do medo  do povo.

CRÍSPULO A Miséria dorme nas aulas vazias das escolas abandonadas; de lá reina e governa o destino das Crianças Correntes. Quando se cansa de dormir, a Miséria sai para caminhar pelo povoado, se arrastra pela rua e envolve a quem encontra. As crianças não podem correr, as correntes os atrapalham e detém seu passo. Veem o parque de longe, com os balanços movimentados pelo vento e choram e olham os seus braços onde seus pais e suas mães convertidos nessas correntes, se ocultam temerosos.

CRÍSPULO E as correntes obrigam as crianças a trabalhar, trabalhar muito, sem descanso, todo dia, toda noite, em meio ao fogo, no meio da mata, nas ruas. “Que as crianças trabalhem para acabar com a Miséria”, disseram seus pais. Bah! Tontos! Assim a Miséria só se torna mais forte. Ninguém pensou em tirar as correntes dos braços das crianças para que com suas mãos abram as portas da escola e para que com suas mãos empurrem os balanços abandonados. Ninguém achou que, deixando as crianças livres, a Miséria deixaria de atormentá-los.
Ainda se ouve as correntes e as crianças sem escola e sem parque arrastam seus cansados pés para a Miséria.

CRÍSPULO “Ai! Se tivessem tirado as correntes das crianças”, dizem uns. “Ai! Se os tivessem educado”, dizem outros. “Que tirem a miséria das Escolas e que as crianças voltem para elas!”, gritam outros. Ninguém quer ouvir.  Mas embora ninguém queira ouvir, alguns continuam gritando: “Que as crianças voltem à escola!”

CRÍSPULO Grite forte você também, porque te asseguro que não vai querer ouvir o terrível som de crianças arrastando correntes. Grite!

Foi uma produção de Infante-Promoção Integral da Mulher e da Infância com o apoio de Hivos.

Escrito por: Daniela Elías
Intérpretes:
Presentadora: Daniela A. Elías;
Críspulo: Moto Morales

AS CRIANÇAS CORRENTES

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