RÁDIOS UNIVERSITÁRIAS (2)

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Como deveriam ser as rádios universitárias deste século? Vai nossa proposta.

Neste 2 de outubro se celebra o Dia Mundial da Rádio Universitária. No radioclip anterior demos alguns dados sobre a situação destas rádios na América Latina e Caribe e deixamos uma pergunta no ar: como deveriam ser as rádios universitárias deste século? Vai nossa proposta.

Meios “ponte”

A maioria das universidades de nossos países, inclusive as públicas, estão sempre rodeadas de altas grades e muros. Dentro está a “academia”. Esse lugar onde se aprende, pesquisa e se gera o conhecimento. Em quase todos estes países é um privilégio poder frequentar seus cursos.

Este conhecimento fica muitas vezes entre essas quatro paredes. Os alunos e alunas que passam por suas aulas o levam a seus postos de trabalho e parte dessa sabedoria se reflete em livros ou artigos que muito poucos leem.

Para as ondas das rádios e TVs universitárias não existem muros nem grades. Estes meios devem servir para difundir o conhecimento de uma maneira aberta e massiva, sendo a melhor ferramenta para conectar a academia com a sociedade.

Esta função “docente” deve ser desempenhada com muita criatividade. Não podemos trasladar os métodos de ensino das aulas para a rádio, seria um fracasso. É preciso criar “cátedras alternativas” nas cabines das rádios universitárias.

Para isto é fundamental uma estreita aliança entre docentes e alunos. Uns com o conhecimento e a experiência. Os jovens com a frescura, o dinamismo e as novas ideias.

Mas pelos microfones destas rádios também devem falar os que estão por fora da Universidade. A ponte deve ser de duas mãos. Por um lado, para que a academia compartilhe seus conhecimentos com a sociedade. Por outro, para que a voz da sociedade também se faça presente na academia.

Com este coquetel radiofônico será mais simples oferecer uma programação divertida, atual e educativa, mas sobretudo, divertida. Porque, quem disse que o educativo tem que ser chato?

Inovação atrevida

As universidades são também centros de desenvolvimento e experimentação em ciência, saúde e tecnologia. Por que não sê-lo da inovação radiofônica?

Este tipo de rádios não tem a pressão por “vender” dos meios comerciais nem estão tão focados no trabalho com suas comunidades, como os meios comunitários. Por isso têm maior liberdade para romper moldes e atrever-se a lançar no ar novos formatos, inclusive, com o risco de que estas propostas fracassem. Sempre podemos mudar e começar de novo.

A universidade deve beneficiar-se da quantidade de alunas e alunos, docentes, pesquisadoras ou passantes que percorrem seus corredores. Conversar com eles, obter ideias e levar tudo isso para cabine de rádio. As universidades caracterizaram-se sempre por estar na frente, por serem vanguardistas. É hora de “vanguardizar” também seus meios de comunicação.

Cotidianamente Cultural

Um dos principais problemas destes meios, que já comentamos no radioclip anterior, foi pensar que só deviam transmitir “conteúdos culturais elitistas”. Muitos deles, por esta equivocada concepção do cultural, se dedicaram a passar música clássica ou chatíssimos programas de literatura.

Não dizemos que a arte, a literatura ou a música de Beethoven não tenham lugar, mas também devem incluir-se as mais variadas manifestações culturais.

Se por cultura entendemos todos os saberes e expressões que construímos como sociedade, não teriam que tocar por estas rádios os novos ritmos de rap que reclamam um mundo mais justo e equitativo? Não teríamos que fazer programas sobre as novas tribos urbanas como Emos ou Góticos, muitos dos quais frequentam essas Universidades?

Refletir a cotidianidade cultural de nossos países certamente interessa a muito mais pessoas que a música clássica ou as leituras de Shakespeare.

“Oxalá significa em árabe “que Deus queira”. Oxalá as rádios universitárias se multipliquem em quantidade e qualidade em toda América Latina. E se Deus não quiser, pois que se multipliquem também, que nada mal viria essa ajuda do mais além à difusão destas vozes necessárias no mais aqui”.

Eduardo Galeano. Mensagem inaugural do primeiro Encontro de Rádio Universitária da América Latina e Caribe: “desde nossos sotaques”, que se realizou de 5 a 7 de outubro de 2011 no México.

RÁDIOS UNIVERSITÁRIAS (2)

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