WIÑAY PANKARA (2)

Este radioclip es de texto y no tiene audio grabado.

Rosa Palomino, jornalista aimara, conta como conseguiu a participação das mulheres e como avalia seu programa.

A jornalista aimara Rosa Palomino faz parte da diretoria da REDCIP, a rede de comunicadores e comunicadoras indígenas do Peru. Para fazer contato com esta dinâmica rede pode escrever para secretaria.redcip@gmail.com

CONTROLE ROSA CANTA

ROSA Há muito que contar sobre este meu trabalho de comunicação. Uma das minhas filhas estudou comunicação. Eu a levava ao campo e ela via: a mamãe Illa vem. Mamãe Illa, quero falar, quero cantar. Assim te dizem as mulheres? Sim, claro. É bonito trabalhar com rádio, é bem bonito. Ela agora está envolvida, me ajuda muito, vamos ao campo. Ela tem o conhecimento, a teoria. Eu, a universidade do campo, da vida cotidiana. Então, nos complementamos. Eu lhe digo, a partir da minha experiência, o que as mulheres gostam como gostam de cantar ou contar piadas. Ela diz: não, mamãe isso não, é chato. Experimentamos. Se lhes agrada ou não, você mesma vai escutar. Perguntamos-lhes: por que vocês gostam dos contos? Elas dizem: porque nos fazem recordar histórias. Dessa maneira minha filha diz: tem razão.

CONTROLESICA AIMARA

ROSA Outra coisa que nós fazíamos era dividir em grupos, grupos de jovens, de vovozinhas. O que faziam as vovozinhas? Contos, histórias. As jovens criavam poesias e canções. E os demais, testemunhos. Assim. O que gostariam de fazer, qual a nossa situação, o que queremos falar, quais são os temas prioritários como mulheres, o que nos interessa? Isso não é fácil, é um constante ir atrás das mulheres, conversar com elas. O que podemos fazer para que chegue ao ouvinte, que sensibilize, que chegue às autoridades, a toda população? Trabalhar com elas mesmas e sair à difusão.

CONTROLESICA AIMARA

ROSA A mim mesma, embora meu programa esteja mal, digo: como está o meu programa? Respondem: muito bom. Que canções vocês gostam? Essas que você põe está bom. Mas às vezes mando minha filha perguntar para que avaliem. E ela vai perguntar: venho da universidade e estou avaliando este programa Wiñay Pankara. Vocês escutam este programa ou não? Que temas vocês gostam? Sim, escutamos. Por que escutam? Porque fala em aimara e também fala de nossas vidas, fala das mulheres, fala da cultura, as canções em aimara.

CONTROLESICA AIMARA

ROSA Querem que o programa tenha mais horas? Sim, pelo menos duas horas de programa. Temos meia hora e não podemos, porque as emissoras não podem nos dar mais espaço, o espaço é caro. Então, lhes digo: a condutora do programa não tem dinheiro, vocês que escutam, que gostam e que fala de vocês, porque não podem contribuir, ajudar quem vos fala? Claro, poderíamos dar um sol, dois soles, ou quando venha ao campo poderíamos lhe pagar a bóia, só isso, mas não há como dar-lhe cinqüenta, cem soles para alugar o programa. Esse é o grande problema. Mas se querem escutar têm que contribuir com alguma coisa, nem que tenham que vender sua cevada. O quê? Uma arrouba de cevada, cinco soles, dez soles. Terrível, não? Então, o que podemos fazer se queremos manter esse programa? Assim comentam. Teríamos que ir à emissora, mas a emissora não vai dar, por mais que digamos o quanto gostamos, eles não vão se importar com isso.

CONTROLESICA AIMARA

ROSA Minha organização se chama Associação de mulheres aimaras, Pacha… Até o ano passado, era a Igreja, a congregação Santa Cruz, como eram mais liberais, me apoiavam voluntariamente, sem nenhum compromisso. Apoiaram-me com o aluguel do espaço, uns seis anos. Agora foram embora, já não estão mais em Puno. Deve haver alguém que possa me subsidiar, alguma loja comercial. Para o município não vou pedir, o município me terá a sua disposição para o que quiser fazer e isso não me agrada. Eu não possa estar a serviço da municipalidade, por isso não me aproximo, mas sim de algumas entidades que estão com trabalho social.

CONTROLE ROSA CANTA

ROSA Neste país, o Peru, reina o machismo. As mulheres dizem às vezes. Sim, que temos direitos, que devem ser respeitados, que se deve dar a palavra, que garantir seu espaço. Isso é tudo da boca para fora, nada mais. Isso é o que constatei em tantos anos que passaram. O que podemos fazer? Continuar lutando sobre nossas reivindicações como indígenas, como comunicadoras que têm que fazer avançar. As mulheres sempre conseguiram as coisas com luta, não é?

CONTROLE ROSA CANTA

ENTREVISTA
Rosa Palomino Chahuares, Radialistas Apaixonadas e Apaixonados, maio de 2007.

WIÑAY PANKARA (2)

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